Resumo da História de Oswaldo Cruz

O COMEÇO DA CARREIRA DE OSWALDO CRUZ :

 Logo no início da Dupla Ouro e Prata e quando esta terminara seu contrato de dois anos com a Rádio Tupi, assinando com a “Record” e com a “Continental Discos”, em questão de meses (dois ou três) saiu à praça o primeiro disco “Bebo” (campeão do Carnaval), ficando também gravados e por sair, o “Dora” em cujo verso estava “Copacabana” e, também por sair, “Balanceio” e “Sinhá-Sinhá”. Como disse, dois ou três meses após aquele Carnaval, houve um acontecimento que teria posto fim à já famosa Dupla Ouro e Prata: o falecimento do Rubião. Grande abalo!, muita tristeza!! Mas o Miguel foi convencido pelos colegas e pela direção da Rádio Record a procurar um outro parceiro.

 Havia na época um conjunto ainda amador, porém com alta qualificação, preparando-se para o profissionalismo: “Príncipes da Vila” – Vila Japurá, na Bela Vista, era onde residiam os integrantes do Grupo (exceto o Oswaldo Cruz), morador da Rua Santo Amaro (mesmo Bairro) – era o Violão-Tenor e cantor dos “Príncipes” (ainda não tocava violão); tinha 17 para 18 anos. Um vizinho dele era muito amigo do Miguel da Dupla e aproximou os dois. O Miguel gostou muito do rapaz e decidiu-se a fazer todo o possível para tê-lo como parceiro.

 - Mas eu não toco violão – alegou o Oswaldo. - Diga-me – contestou Miguel - Em um mês você conseguiria tocar violão e cantar a primeira música comigo? – Daria. - confirmou Oswaldo - mas eu não pretendia abandonar meu grupo agora que estamos preparados para nos lançar... - Eu tenho paciência – explicou Miguel – Vamos primeiro arranjar um substituto para o seu lugar no Conjunto. Depois que estrearmos na Record, iremos apresentar o “Príncipes da Vila” a alguma emissora e eles poderão também iniciar sua carreira profissional. Assim foi feito.

 Conseguiram localizar um bom cantor-violonista, o Mathias e, sob a orientação do Oswaldo Cruz, iniciou os ensaios no “Príncipes”. A Dupla Ouro e Prata ensaiava nas terças, quintas, sábados e domingos, enquanto o “Príncipes da Vila” o fazia nas segundas, quartas e sextas-feiras. Em menos de dois meses a Dupla já tinha mais de dez músicas ensaiadas.

 O empresário Januário de Oliveira conseguiu um trabalho de um mês em Curitiba e Oswaldo e Miguel foram cumpri-lo para conseguirem o devido traquejo para a reentrada na Record. Trabalharam os trinta dias na PRB-2 daquela cidade.

 Na volta, já com a estréia marcada na Record, continuaram os ensaios; e o Oswaldo Cruz continuava a ensaiar também os “Príncipes da Vila” – já com outro nome: “Os Diamantes”. Vejam que a Dupla foi campeã do Carnaval em fevereiro, o Rubião falecera em Março e a Dupla recomeçou – já com o Oswaldo – em julho do mesmo ano. E em novembro, “Os Diamantes” estrearam na Rádio Tupi, graças à apresentação do Miguel Ângelo e, principalmente, á sua grande qualidade. O Oswaldo Cruz, apesar de auto-didata, foi protagonista e orientador artístico disso tudo.

 A não ser o disco “Bebo” campeão do Carnaval, o “Dora” e “Copacabana”, além de “Balanceio” de Mário Zan e “Sinhá-Sinhá” feitos ainda com o Rubião, todas as outras gravações (mais de oitenta músicas) vieram já com o Oswaldo Cruz. Houve várias composições dele entre essas gravações.

 Miguel Ângelo e Oswaldo Cruz formaram uma parceria que durou cerca de l5 anos. Gravaram pela “Continental”, pela “Elite-Special”, pela RGE Discos, depois novamente a “Continental” e, posteriormente, a “Polydor”. Sempre fizeram shows por todo o Brasil, com uma passagem pela Rádio Belgrano de Buenos Ayres; enquanto isso mantinham os contratos com a “Record”, com a “Tupi”, voltando à “Record”, onde, após quinze anos, encerraram a parceria, já que o Miguel iniciou uma carreira-solo com algum sucesso.

 No dia seguinte ao término da Dupla Ouro e Prata, o Oswaldo, ainda sem saber o que iria fazer dali por diante, saiu a andar pela rua a fim de pensar um pouco para se programar quanto ao futuro. O que é o destino!!! : Na calçada dos Correios cruzou com quem? Lúcio Cardim (o grandioso compositor brasileiro), de quem a Dupla gravara duas músicas - ele ainda não tinha gravado com o Jamelão o seu maior sucesso: “Matriz ou Filial”, porém já houvera gravado “Incoerência” com a Ângela Maria e tinha sido dele também, a guarânia que foi o maior sucesso do Wilson Miranda, além de outras gravações com menores destaques com outros artistas. Estava em franca ascensão.

 - Oi, Oswaldo, como vai? – e a Dupla Ouro e Prata, como está? - Olá, Lúcio; o Miguel gravou uma música cantando sozinho e o disco está pintando. Achei melhor deixá-lo livre para ir trabalhar pelo Brasil a sua carreira-solo. Talvez eu consiga fazer o mesmo através de alguma gravadora. Por enquanto estou desempregado. - Estava. – contestou Lúcio - Se você não for muito exigente, limitando-se a ganhar o que eu puder pagar, comece a trabalhar hoje à noite, a partir de 22 hs. no meu barzinho noturno, o “Exotic”. E assim, iniciou-se a carreira-solo do Oswaldo Cruz.

 Dali a três meses, a situação dos artistas brasileiros que não tivessem um “quê” das músicas americanas, iria ser terrivelmente modificada. Não se sabe porque, as gravadoras que haviam nascido no Brasil foram todas compradas por grupos americanos, tendo suas atividades encerradas; e as emissoras, também não se sabe porque, passaram a tocar só músicas com aquelas características. Ficou muito difícil. Foi nessas circunstâncias que a última gravadora brasileira, a “Copacabana Discos” fez um disco com o cantor Oswaldo Cruz: “A mentira do Sim” e “Nunca me Abandones”; Uma multinacional, a “RCA Victor” também gravou dois discos com ele, mas nada adiantou pois as emissoras seguiam a tocar o novo estilo americanizado. A solução para o Oswaldo foi seguir na noite, esperando que, a qualquer momento, as coisas se modificassem; então, quem sabe, até a Dupla poderia voltar à ativa... porém isso durou dez anos.

 Trabalhou no “Sambalanço” junto com o Roberto Luna – mesma rua do “Exotic” - ; voltou ao Lúcio Cardim, onde foi convidado por uma cliente a ir trabalhar na casa que ela estava inaugurando, o “Seresta Bar”; Dali ela inaugurou outra casa noturna chamada “Ex-Trago Bar” na Rua Barão de Itapetininga; Então foi trabalhar no “Esquilo’s” na galeria do Cine Metrópole, onde, em sociedade com a Irmã Neusa, montou seu próprio barzinho noturno, o “Barquinho Drinks” (um ano de sucesso). Porém, abriram-se vinte e sete casas noturnas na mesma galeria e, por não conseguirem freguesia, colocaram a trabalhar ali, umas oito a dez mulheres recepcionistas em cada casa. Isso desvirtuou o ambiente, afastando daquele local a clientela de bom caráter. Conclusão: o “Barquinho Drinks” foi vendido só para poder pagar as dívidas que haviam sido contraídas.

 Depois, trabalhou no “Mami-Drinks” do cantor Antônio Martins; foi para o “Bossinha” do Ari do Piston; dali para o “Chez Regine” (perto da Santa Casa); Foi convidado por outra cliente que estava abrindo outra casa noturna, a “Viva-Maria”; Dali para o “The Oppen Door”; depois para o “Champanhota” e, a seguir, para o “Maison-Mil” (Augusta com Paulista).– Só então, graças à interferência de um cliente-amigo, conseguiu adquirir sua moradia própria (a prestações), que é onde mora até hoje; Quando o “Maison-Mil” foi fechado - problemas com a Justiça – houve o imediato convite da casa vizinha, o “Luster-Bar”, onde trabalhou por um ano. (Foi essa a última casa noturna em que trabalhou).

 Só saiu para atender a um convite da equipe do Sílvio Santos, para participar do seu Coral – já que autodidaticamente havia estudado música, tendo sido reconhecido como orquestrador ao prestar exame pela Ordem dos Músicos do Brasil. O Grupo Silvio Santos só se interessava por cantores que lessem música. Foram quatro anos de Sílvio Santos.

 Ao fazer um show na Fundação Itauclube (do Banco Itaú), recebeu um convite – e aceitou – para organizar o Coral Itaú. Foram dez anos de sucesso na empreitada: ali formou (somente com funcionários do Banco) o Coral Itaú; depois, a orquestra Itaú; a seguir, o Grupo Musical Itaú; com este, lançou “A Voz Itaú” (anual de cantores funcionários); na mesma linha, “MPB Itaú” concurso anual de funcionários compositores; fundou também o “Regional Itaú” (cavaquinho, violão, flauta, surdo e pandeiro); e um grupo latino-americano (canto e instrumentos rudimentares) – os integrantes deste, depois de formado, deixaram o Banco e se profissionalizaram com o nome “Terramérica”, atualmente com três LPs.

 Aí, em 1986 aposentou-se e passou a lecionar música (a domicílio).

 Em 1993 recebeu um convite para cantar no “Sheraton-Moffarrej Hotel”, onde trabalhou por quatro anos. Encerrada essa fase, de 1997 para cá, passou a dar aulas de música a domicílio e, finalmente, aceitou trabalhar para a Secretaria de Estado da Cultura, formando Corais com pessoas da terceira idade. (três Corais). É o que está fazendo na atualidade.

Este foi um resumo da História de Oswaldo Cruz.

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