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FORÇA DE VONTADE EXTREMA


Literatura infanto-juvenil para todas as idades.
Oswaldo Cruz e Leonardo Cruz Rossi (21/06/96) . "FORÇA DE VONTADE EXTREMA":Autoria de Oswaldo Cruz e Leonardo Cruz Rossi, cujo texto será aqui registrado , só o primeiro capítulo . Download do livro inteiro e corretamente formatado clique aqui: FORÇA DE VONTADE EXTREMA .zip ( 122kb )

Este livro pretende despertar o interesse de alguma Editora .... ( Leia você vai gostar ).



CAPÍTULO I

Ele sempre fora um menino maravilhoso, um exemplo de bondade. Jamais em sua vida cometera qualquer ato que pudesse prejudicar alguém. E já naquela época isso era raríssimo. Como seus dois irmãos, nascera na cidade de São Paulo. Chamava-se Leonardo (doze anos), Guilherme era o do meio (oito anos) e Bernardo, o caçula (tinha seis). Da mesma forma que Leonardo, os dois irmãozinhos eram admiravelmente bons. Havia cursado a sexta série e passado para a sétima; o Guilherme também promovera-se da segunda para a terceira, enquanto o Bernardo que, vindo do prezinho, iria começar a primeira série. Estudavam no Stella Maris e esse Colégio ficava na mesma rua onde moravam. Seus pais eram ótimas pessoas - Toninho e Miriam - um casal que trabalhava fora em duas conceituadas empresas; trabalhava muito, mas à noite, de segunda a sexta-feira e também nos fins de semana, procurava não separar-se das crianças. Dedicava muito carinho e atenções aos filhos. No Colégio, o garoto sentia-se muito feliz pois gostava dos professores e dava-se bem com todos os colegas. Mas ali sempre notara algo muito estranho... não preocupante mas esquisito: Em companhia dos coleguinhas nada sentia, porém quando ficava sozinho na garagem à espera da condução, passava-lhe pelo corpo um leve arrepio. Parecia-lhe perceber a presença de alguém pelos cantos da peça. Mas ao ir verificar de perto, sempre chegava à conclusão de haver se enganado. Mas certo dia, aquela sensação fora fortíssima e ele até surpreendeu-se por não ter ficado com medo. Do canto de onde provinham-lhe os fluidos, atrás de um automóvel, avistou uma espécie de nuvem. Dela transparecia o vulto de um senhor muito bem vestido. Uma figura transparente de verdade, através da qual Leonardo podia divisar nítida e clara a presença do extintor de incêndios afixado à parede. Aquela figura olhava-o com certa ternura e fazia-lhe gestos convidando-o a aproximar-se. Ele o fez. Encostou-se ao automóvel e ficou a aguardar os acontecimentos. Provinda da nuvem, uma voz suave e sussurrada começou a comunicar-se: - Não fique impressionado, Leonardo. Nenhum mal irá lhe acontecer. Só desejo um contato com você... - Mas... Quem é o senhor ? Ocorreu uma pequena pausa. Depois a voz continuou : Não é muito importante você saber quem sou ou de onde vim. Não quero ser antipático, senhor ; mas preciso saber de onde vem e o que deseja de mim. Outra pequena pausa. A nuvem abaixou-se até o chão onde sentou-se, convidando Leo a que fizesse o mesmo. O menino hesitou um pouco mas acabou por obedecer, sentando-se à frente daquele senhor transparente. - Conheço você muito bem - prosseguiu o vulto - Tenho acompanhado todos os seus atos tanto aqui no Colégio como em sua casa; e até nos passeios que faz com seus pais e irmãos. Sei que é bonzinho, cumpridor dos deveres, obediente, estudioso e inteligente, além de leal para com todos os que o cercam. - Mas... - Não se apresse, meu menino... - É que a perua está para chegar e meus irmãos já irão descer... Nem sei como ainda não desceram ! - olhou para o relógio de pulso, constatando que o mesmo estava parado - Engraçado !... Nem meus irmãos descem, nem a perua chega e meu relógio, que funciona tão bem, está parado ! Não entendo... E este silêncio!... Não ligue para nada disso. Enquanto estiver a conversar comigo, o tempo ficará estático... totalmente parado. Mesmo que nosso diálogo dure duas ou três horas, quando eu partir tudo recomeçará de onde parou, a funcionar normalmente. Na verdade, só utilizaremos um centésimo do tempo normal. Portanto, não se apresse. - Então está bem... como é o nome do senhor ? - Eu era chamado Gabriel... Professor Gabriel... assim como aquele anjo. - Que quer dizer com... era ? Pareceu a Leo notar um sorriso vindo daquela espécie de fumaça. - É que, não se assuste, há muito tempo já não pertenço ao mundo dos vivos, ou seja, ao seu mundo. - Quer dizer então, que o senhor já morreu...? ! - Faz quarenta e cinco anos. E não se preocupe, estou muito bem onde, entre muitos outros que, como eu, existem sob outra forma; e também como eu, com missões agradáveis a cumprir. - Está cumprindo alguma missão neste momento ? - Sim, várias. Tantas que não estou conseguindo dar conta. Preciso de ajuda pois, tendo de escolher auxiliares venho perdendo muito tempo... não estou conseguindo encontrar pessoas adequadas para essa finalidade. - Qual tem sido a sua dificuldade ? - Todas as pessoas que observei desde há três anos atrás, aparentemente eram boas; mas estudadas a fundo, apresentaram sérios contágios pela maldade que atualmente envolve a maioria dos seres humanos. Então passei a prestar atenção em você, menino. Agora estou convencido de que é a pessoa certa para o que quero. Escolho você porque apresenta um alto nível de bondade. Para o que necessito de ajuda, não pode existir a presença do mal. - Que fazia o senhor quando ainda era vivo ? - Fui o primeiro Professor contratado por este estabelecimento de ensino. Se tiver acesso aos arquivos existentes na secretaria, ali encontrará o meu nome na primeira ficha : Professor Gabriel dos Anjos - Geologia - (primeiro a ser contratado pelo Stella Maris). - Pelo que pude entender, o senhor chegou à conclusão de que eu reúno condições para ser seu auxiliar. Pergunto: como ? - Procurando antecipar, corrigir e até mesmo evitar injustiças com as quais for se defrontando. - Mas, eu sou ainda tão criança ! tão inexperiente... - Sim, mas tem o maior senso do direito do próximo que já vi. Explico: Sabe entender perfeitamente quando as pessoas têm o direito de pedir-lhe algo e as atende sempre com muita alegria apesar de, às vezes, isso ocasionar a você muito trabalho a fazer ou muita renúncia a coisas que gostaria de ter. É nessas atitudes que reconheço o seu valor. O fato de ser tão criança e inexperiente como diz, não fará diferença alguma. Suprirei essa falha dando-lhe um certo poder que jamais daria a qualquer pessoa que tivesse má índole. - E que poder será esse ? - Pegue em sua mochila uma folha de papel em branco. Leonardo obedeceu entregando ao vulto a folha de papel. A nuvem iniciou um movimento rotativo vertiginoso e foi se concentrando sobre o papel, parecendo entrar por ele. Foi entrando, entrando e... por ali desapareceu totalmente, só restando no recinto um profundo silêncio. Em seguida, voltou o barulho normal das coisas lá fora: Buzinas de automóveis, algazarra das crianças que desciam as escadas, etc... O motorista da perua convidou-o a tomar seu lugar ao lado do Guilherme e do Bernardo. As outras crianças também só estavam aguardando sua presença para ir para casa. A perua então pode dar início ao percurso habitual. Leo percebeu que a folha de papel nas suas mãos estava totalmente escrita. Disfarçadamente dobrou-a e colocou-a na mochila. Constatou também que seu relógio voltara a funcionar e que não havia transcorrido nem um minuto desde que tudo começara. Já na perua em movimento, as crianças iam brincando como sempre faziam : Uns meninos davam tapinhas nas cabeças de outros e depois disfarçavam, fingindo não terem sido eles. As meninas comentavam o quanto tinham ido bem (ou mal) em determinada matéria. Mas todos em geral, faziam muito barulho. Os três sempre eram os primeiros a descer pois moravam pertíssimo. Quando já estavam dentro do elevador do edifício onde residiam, Bernardo (o caçula) perguntou : - O que você estava fazendo lá no fundo da garagem do Colégio ? - Leonardo tinha por hábito nunca mentir, por isso ficou vermelho. Sentiu que não poderia contar aos irmãos o que ocorrera. Aliás, achou que o Prof. Gabriel dos Anjos não aprovaria essa atitude, por isso desconversou : - Nada. É que fazia um bom tempo que eu estava esperando por vocês, por isso resolvi dar uns passos só pra quebrar a monotonia O, elevador chegou ao sétimo andar e os três entraram rapidamente em casa indo logo livrar-se de suas pesadas mochilas. Dona Diva, a mãe do Toninho, era quem cuidava da casa enquanto o casal estivesse trabalhando, avisou : - A comida está pronta. Tratem de lavar as mãos e venham logo para que ela não esfrie. Os pais não costumavam almoçar com eles. Leo estava ansioso para ler a mensagem que havia no papel, mas não poderia fazê-lo imediatamente sem atrasar-se para o almoço. Para não tomar alguma pequena bronca , deixou a leitura para depois. Mas, terminada a refeição, correu a abrir a mochila para pegar a mensagem, indo direto para o banheiro onde fechou-se, desdobrando imediatamente o papel . Constatou que as linhas da escrita corriam em fuga para cima à medida que iam sendo lidas, como certos anúncios de televisão, o que permitia que a mensagem fosse infinita, se isso fosse necessário. Leu : “– Leonardo, Sei que não enganei-me ao escolhê-lo; e que jamais comentará com quem quer que seja, sobre este contato que estamos tendo e que iremos continuar a ter futuro a dentro.” “– Vou ensinar-lhe a forma de conseguir coisas que nenhum outro ser vivente imagina serem possíveis.” “– Quero que utilize os poderes que irá obter, somente em oportunidades de real necessidade para o cumprimento da Justiça e do Bem.” “– Lógico que, vez ou outra, poderá fazê-lo para alguma brincadeira ou demonstração... mas não convém abusar dessas atitudes.” “– A fórmula estaria ao alcance de todas as pessoas que desejassem exercer o Bem, caso não lhes viesse a subir à cabeça a vaidade e o convencimento, fazendo-lhes meter os pés pelas mãos.” “– O nome da fórmula é “FORÇA DE VONTADE EXTREMA”, aquela que tudo pode e que tudo consegue.” “– Como você sabe, a força de vontade faz com que atinjamos nossos objetivos. Com ela, o estudante acaba entendendo as matérias que estavam difíceis, passando de ano e tirando diplomas ; o trabalhador produz bastante e acaba ganhando mais dinheiro do que os outros ; com muita força de vontade, o cientista descobre novas fórmulas matemáticas, físicas, químicas, biológicas, sociais, mecânicas, cibernéticas, etc... Em todos esses campos, a humanidade obteve enormes progressos produtivos e criadores. É o resultado da soma de esforços feitos por certos homens em alguns séculos.” “– Mas o que para vocês viventes é um século, para nós da eternidade é uma fração de segundo. Isto significa que, para o Criador teria sido facílimo produzir todo esse progresso em uns poucos segundos.” “– Estou autorizado a mostrar-lhe um caminho. O da força de vontade você já conhece, pois tem vencido seus obstáculos nos estudos e na convivência com seus semelhantes, graças a ela, a sua força de vontade.” “– Você já deve saber que, quando desejamos realizar algo, utilizamo-nos de força de vontade; e as células do nosso corpo se incumbem de modificar todo o metabolismo, direcionando a nossa objetividade para a conquista dos nossos sucessos, demore o quanto demorar ; o fato é que acabamos por consegui-los.” “– Aí é que entra o método que desejo lhe passar. Se nós, da eternidade, podemos realizar em segundos aquilo que vocês demoram tanto a conseguir, a falha está em que empregam pequena dose de força de vontade.” “– Então, o método a ser utilizado deixa claro que deve-se empregar a FORÇA DE VONTADE EXTREMA.” “– Esta, acelera-nos incrivelmente o metabolismo e com isso, prepara o nosso ser (corpo e espírito), dando-lhe um enorme potencial para realizar instantaneamente coisas que nos parecem impossíveis.” Tais como : “– Podermos correr com a velocidade da luz ; vencermos indefinidamente a fome e a sede pois nossas células passariam a captar água , alimento e energia diretamente do ar ; ficarmos sem dormir durante muito tempo, sem que isso seja prejudicial à nossa saúde ; com a aposição das mãos, mudarmos a composição das matérias, como por exemplo, transformarmos uma barra de ferro em uma porção de algodão ; levantarmos com uma só mão, o peso de uma locomotiva ; fazermos desaparecer - mudando o posicionamento das células - qualquer corpo, tecidos, metais, madeiras, líquidos, etc... ; podermos ficar invisíveis ao olho humano. E esses poderes atuariam também sobre as coisas ou pessoas que quiséssemos modificar temporária ou definitivamente ; podermos ainda fazer parar o tempo tanto para uma pessoa como para um grupo... Enfim, nada será impossível se empregarmos o método da FORÇA DE VONTADE EXTREMA.” “- Portanto treine. Treine muito. Vai precisar.” “– Vou adiantar-lhe uma informação: Daqui a um mês e meio, você, seus pais e irmãos sairão em viagem de passeio pelo Norte e Nordeste do Brasil. E será por avião.” “– Terá de estar preparado pois irá intervir em vários acontecimentos. Não jogue fora este papel porque será através dele que comunicar-me-ei com você. Boa sorte.” E a folha de papel voltou a ficar em branco.

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