Autor : Oswaldo Cruz
Sempre afirmei que o empresariado no Brasil é ganancioso demais; não se conforma em ganhar um pouco menos e é composto por gente que tem como meta, duplicar, triplicar, quadruplicar a cada ano, o seu capital. Como exemplo, aponto um dos maiores Bancos, cujo nome, por educação, não citarei. Só desejo lembrar-lhes que o mesmo, em 1971, era somente uma agência na Rua Boa Vista, e que hoje, trinta anos depois, é composto por mais de cinco mil agências – todas erigidas em terrenos próprios, ou seja, mais de cento e cinqüenta delas por ano de atividade. Esse banqueiro não somente duplicou ou triplicou, mas sim, multiplicou, a cada ano, o seu capital. Certo dono de uma empresa de ônibus urbanos cresceu tanto (e cobrando as passagens ao preço antigo), que, cansado de ampliar sua firma, resolveu-se a investir diferenciadamente, aplicando seu capital na montagem de uma empresa aérea com várias aeronaves de custo astronômico – cada uma delas ao preço de duzentos ônibus, mais ou menos - No entanto, todos os proprietários de outras Viações, são sempre unânimes em afirmar que, sem o subsídio da Prefeitura, trabalhariam no prejuízo! Para acabar com tais subsídios, a Prefeita concordou em aumentar o preço das passagens em vinte por cento (assim, os custos da operação deixariam a Prefeitura para cair nos ombros do povão). Pois bem. A Prefeita deseja agora lançar certa inovação no sistema de transporte coletivo. Só que, para executar o plano, terá de aceitar a volta dos tais subsídios. Aos quais, os descarados estavam habituados... Como fazer para livrarmo-nos dessas sanguessugas?... Em dias normais trabalham com quantidade de ônibus a menor possível; e em fins de semana ou feriados, chegam a colocar em algumas linhas, somente um veículo a ir e vir (assim evitando circular com ônibus vazios), não se importando com o fato de o povão ter de esperar no ponto cerca de uma hora. O que menos desejam é servir ao público. E na Saúde, os Laboratórios sempre conseguem aprovações dos Governos para aumentos de preços dos remédios. Concessionários que adquiriram (mediante pagamento ao Governo) o direito de utilizarem-se das nossas já renovadas estradas, sem investir nelas um centavo sequer, ampliam a bel prazer, o número de postos de pedágio, tirando multiplicadamente do povo, a grande importância que deram pela concessão. Ora... a explicação é uma só: Nossa máquina governamental absorve toda e qualquer quantidade de dinheiro que lhe caia às mãos e é excessivamente pesada para o povo – custa muito caro – “eles” ainda pretendem ampliá-la... para que? Quinhentos e três Deputados Federais com seus vinte a trinta assessores cada; Oitenta e cinco Senadores com seus vinte a trinta assessores cada; Milhares de Prefeitos com seus assessores; Dezenas de milhares de Vereadores com seus assessores; Não sei quantos Deputados Estaduais com seus assessores; O Presidente da República com seus assessores e Ministros –também com seus assessores - ; Milhares de órgãos públicos (quase sempre cabide de empregos), etc... Assim, não dá!!! Então, o que afirmei no início referindo-me ao empresariado, valerá também para os integrantes da nossa máquina administrativa (que, por conveniência de tais participantes, jamais irá se modificar) Cá entre nós. Acho que cada Estado poderia ter na Câmara seu Deputado Federal com uns três (não vinte) assessores; e também que, cada Estado pudesse ter um só Senador com uns dois ou três assessores; Cada Prefeitura, cada Governo de Estado, o Presidente da República, também tivessem o número reduzido de assessores... Estou certo de que essas poucas pessoas desenvolveriam muito melhor suas funções. Em compensação, ganhariam mais honestamente seus polpudos salários. Porém... sabem quando é que Deputados, Senadores, Presidente da República, etc... sabem quando é que eles aprovariam tais modificações?... O que é que vocês acham?