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INTERESSES COMERCIAIS NORTEAMERICANOS

Autor : Oswaldo Cruz

Conseguiram matar a metade do nosso Carnaval paulista e carioca; a Baía não entrou nessa e faz seu Carnaval diferente (popular mesmo); ajudam nisso, a Prefeitura, as Emissoras de Rádio, empresas comerciais e as próprias gravadoras – menos gananciosas. Estas, abrindo mão de parte dos lucros que teriam ao empregar seus horários na divulgação de suas produções, têm agora um grande retorno financeiro com o turismo que passaram a ter. Aconteceu assim: Em épocas de Carnaval, porque o turismo voltava-se para o Brasil, deixando, Lãs Vegas, Disneylândia e outros setores daquele País às moscas, Até o ano de 1958, mais ou menos, eles agüentaram a contragosto esse rojão, mas então tomaram uma iniciativa de acabarem com isso: Já possuíam as maiores gravadoras aqui em nossa terra e compraram todas as pequenas produtoras de discos que floresciam por aqui, além de comprarem também todos os horários entre as seis horas da manhã até a meia noite das melhores Emissoras de Rádio (que serviam de modelo para as pequenas), passando a proibir que os cantores brasileiros gravassem músicas de Carnaval, alegando que não davam lucro. Os compositores brasileiros nunca mais (até hoje) tiveram oportunidades de produzir para essa finalidade. Fica fácil de concluir que os Carnavais passaram a viver de “Ala-la-ô”, “Chiquita bacana”, “Olha a cabeleira do Zezé” e até de “Mamãe eu quero”... Para o povo brasileiro isso soou como se ninguém mais por aqui teve criatividade para produzir esse tipo de música (antigamente sim, é que havia compositores e cantores capazes dessa proeza!!!) Ora, se não saem novas músicas desde Outubro do ano anterior, acaba não tendo nada de novo! Por sua vez, as Prefeituras do Rio e de São Paulo só desejam ter retorno financeiro nos Carnavais e passaram a desfrutar da criatividade do povo brasileiro – com as Escolas de Samba desfilando em lugares pré-determinados pelos Prefeitos e seus auxiliares. Não investindo corretamente, ajudaram na matança da metade da nossa maior festa popular (E o povo que quiser assisti-la tem de – como os turistas – pagar para freqüentar os sambódromos; dando lucro é o que lhes interessa. Passou, portanto, a ser uma festa de Elite. Acabaram-se os desfiles espontâneos das ruas dessas cidades. Então, é que os Baianos aproveitaram-se da situação, montando suas próprias gravadoras e tendo o apoio das Emissoras de Rádio, além do de várias empresas que vivem do turismo, montando essa estrutura que veio a roubar a presença da grande maioria do povo brasileiro e dos turistas estrangeiros. Foi assim que aconteceu o fenômeno atual! : São Paulo e Rio passaram a ser a minoria nessa festa. “Até logo e bênça”. Agora, os maiores cantores e compositores do Brasil é composta por Baianos. (E de nada adiantou a marotagem dos Americanos).

* * FIM * *

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