Autor : Oswaldo Cruz
De que adiantará vermos as Estações da Luz e Júlio Prestes como símbolos de um passado remoto, como se fossem peças de museu? Isso importaria em vantagens no campo do progresso do Pais? A resposta é NÃO. De que adiantará vermos essas duas maravilhas como algo a ser acrescentado somente no campo cultural? Ora, há algum tempo atrás, quando vimos chegado o momento de ampliar o nosso setor ferroviário, alguém (geralmente esses “alguéns” pertencem à nossa Administração, ou seja, o Governo). Como disse, alguém resolveu priorizar o setor rodoviário (acredito que – baseado no que corriqueiramente acontece por aqui – deva ter havido alguma troca de vantagens financeiras pessoais). E então começaram a aperfeiçoar-se nossas rodovias. É certo que precisávamos implantar no Brasil fábricas de automóveis, caminhões e tratores; mas, daí a atrofiar e, mesmo acabar com a possibilidade de termos uma vasta rede ferroviária a impulsionar nosso progresso, aconteceu uma espécie de (com o perdão da palavra) burrice. Todos nós sabemos que os Países mais desenvolvidos do mundo contam com malhas ferroviárias extensas, além de manterem hidrovias respeitáveis. Não teria sido necessário acabar com nossas Estradas de Ferro e, teria sido importante sim, que implantássemos bem mais cedo, as nossas Hidrovias. Conclusão: Somos um País com progresso limitado (como sempre desejaram as Grandes Potências), graças a essas induzidas atitudes. Mas poderíamos, se quiséssemos, iniciar paulatinamente a nossa “volta por cima”, construindo, às margens das nossas maiores rodovias, Linhas Férreas. Estas viriam a tornar-nos menos dependentes do consumo de Petróleo, além de favorecerem o escoamento, bem mais barato, de Produtos Rurais e fazerem surgir,naturalmente, novas cidades. E, por que não, iniciar a implantação da “Ferrovia Transamazônica”, utilizando o leito da fracassada rodovia já existente com o mesmo nome? E, por que não, também, fazer o mesmo com as outras Rodovias deficitárias? Não afirmem que não é viável, sem primeiro calcular que o fato de já existirem os terrenos favorece em muito esta idéia. Quanto custaria completar as rodovias fracassadas?