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Parlamentares só defendem quem os patrocinam

Autor : Oswaldo Cruz

Certas afirmativas deveriam ser abolidas pelos homens de Imprensa e por aqueles que nela encontram espaços para expor suas idéias. Tratam-se de simplificações perigosíssimas, tais como: “O povo brasileiro não sabe votar” “O povo brasileiro escolhe mal seus presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores...” “O povo brasileiro é culpado por sempre serem eleitos vários marginais, permitindo que os mesmos ocupem altos cargos no comando da Nação.” “Devemos analisar muito bem o candidato antes do momento do voto.” Ora. Se um homem for honestíssimo, competente, incorruptível, respeitável... mas não dispuser de sobras financeiras para custear sua campanha; não fizer grande alarde de suas qualidades através das emissoras de rádio e TV ( e o custo é sempre altíssimo), como também, através de jornais e revistas (idem), certamente terá fracassada a sua candidatura, permanecendo como começou, ou seja, um ilustre desconhecido. Os fazedores de leis incluíram tremendas brechas (até na Constituição), que tornam muito natural o fato de empresários investirem capitais no apoio àqueles que serão seus representantes no meio político. E o alto empresariado diz: “É perfeitamente justo que ajudemos aqueles que, politicamente, irão defender nossos interesses...” Reconheço até que os mesmos têm certa razão. Pergunto: Se cada grande empresário apadrinhar um ou mais políticos, as mais de quinhentas vagas do Congresso, as mais de oitenta do Senado, as cinco mil de Prefeitos, as quinze a vinte mil de vereadores serão preenchidas facilmente somente por defensores dos empresários. Sem contar o fato de vermos constantemente ocupados os cargos de Presidente da República e Governadores, por pessoal que eles designam (e às vezes até ocupam pessoalmente). Um dos exemplos é o caso Collor. E como é que fica o povão? Quem irá representar seus interesses? Ao povão só restará a possibilidade de escolher pelo que ouvir falar no rádio, ver e ouvir na TV, ler nas revistas e jornais... Então, o candidato que tiver bons padrinhos e, graças a eles, puder comprar mais espaços , mais horários nas emissoras, nos jornais e revistas... terá divulgadas todas as suas qualidades e, quando não as tiver, sempre encontrará quem as invente. Quem de nós não se iludiu quando do lançamento da campanha do Presidente eleito por volta de l986 e que posteriormente foi afastado? Tratava-se de um homem jovem –comunicador emérito- uma espécie de grande ator – convincente em suas afirmativas... enfim, alguma coisa promissora comparando-se à velharia de até então! E onde estava a Imprensa, que na época não divulgou a farsa? É simples de responder: A Imprensa tinha de faturar, recebendo os pagamentos por seus espaços, divulgando somente aquilo que os clientes exigiam. Essa mesma Imprensa, passando a falar as verdades depois que o homem foi eleito de nada adiantou. Onde está a culpa do povo, se nas horas de decisões só se ouvem maravilhas sobre certos homens e depreciações sobre outros (quem sabe, os realmente honestos?) Portanto, peço aos comunicadores muitas cautela e que, em vez de simplificarem a coisa atirando a culpa a nós, votantes, que descubram entre seus colegas e donos de veículos de informações, aqueles que costumeiramente levam vantagem financeiras pelas mentiras que entregam ao público e pelas verdades que têm de ocultar, em troca de remunerações... (mas observem isso antes que aconteçam as eleições) Acho que está bem claro: A culpa das más escolhas nas eleições é daqueles empresários useiros e vezeiros na compra de seus representantes políticos. Sim, eles costumam comprar a tudo e a todos , para assim terem poderes acima da lei e pleno domínio sobre nossos homens públicos. A culpa é também de grande parte da Imprensa, cujos donos e diretores comerciais, na hora de faturar, esquecem-se da palavra “patriotismo”. Através da enorme força de seus veículos de comunicação (em bloco) conseguem transformar grandes cafajestes, refinadíssimos ladrões, em heróis. E essas monstruosidades humanas são transformadas em homens respeitabilíssimos, que alcançam os primeiros lugares nas Paradas de Sucesso das eleições! Então, passado aquele momento, comentaristas políticos, jornalistas, debatedores na TV, etc... liberados já do compromisso com aqueles que, não mais necessitando de publicidade, pararam de pagar, quando discutem ou tentam explicar o porquê de grande parte dos nossos homens públicos ser composta por elementos tão levianos, tão medíocres, tão desonestos, preferem simplificar a coisa, atribuindo a nós, os eleitores, a culpa por neles termos votado... isso não é verdade. Graças à mídia e quem a custeia, ou seja, os grandes patrocinadores que, com seu poderio financeiro fica autorizado a colocar na direção do País, aqueles que os ajudarão a esfolar o povo, tirando deste até o último centavo. Isso vem de longe e tem um nome: “Coronelismo”. Proposta: Em vez de votarmos em troca de camisetas, cestas básicas, alguns pequenos favores, por que não exigimos dos que estão no poder, que criem leis proibindo essa aberração, que é o direito de contribuir financeiramente para a eleição de certos candidatos? Transformem-se isso em um crime inafiançável, sujeitando seus praticantes a longas penas de reclusão e altas somas em dinheiro, a serem utilizadas totalmente no Social.

* * FIM * *

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